domingo, 11 de agosto de 2013


                                              Cenário Perfeito         



Naqueles momentos mais sóbrios, onde se deixa a imaginação fluir por sua própria guia, somos tomados por inúmeras ocasiões, e projetamos uma cena em conjunto do desejo, assim formamos nossos melhores cenários.
Por todo o universo que é uma mente, idéias se esbarram pelos corredores a todo momento, podendo atravessar a ponte para a realidade, ou continuar perambulando sem rumo, em um eterno vai e vem, sendo geradas e e não geridas. 
A todo instante, algo nos remete para uma ilusão, que se desenvolve, a partir da magia que é sonhar e imaginar, criar histórias, personagens e cenas, a qual cada mundo interior, tem seu próprio contorno. Dessa maneira, aquela tarde cinza, deixa de lado o bucólico, para se remeter na imaginação, sobre como vir a colori-la, em como impedir que ela apenas seja mais uma, e se torne algo bem especial, e que mereça ter um destaque, seja na retina, no tocar, ou pelo simples imaginar.
O som de um acorde, o feixe de luz através da janela, a névoa da manhã, ou a brisa do fim de tarde, podendo passar pelo sereno noturno, qualquer fato remete a um cenário a ser criado, e é nele que se mergulha, abrindo caminho para as idéias deixarem de se esbarrar, e juntas caminharem, sorrindo e em sintonia. A associação delas, fazem com que tenhamos o cenário a vista, como o frio remeter ao romance, ou o calor ao ar livre, o sol a um sorriso, e a lua a um desejo. Tudo se emoldura no cenário da nossa mente, com cada peça se encaixando, formando um mosaico sem erros, para se imaginar e voar por toda a sua extensão.
O poder de sonhar, por vezes se torna esquecido, o que é de se lamentar, pois sonhando, se alcança a diretriz que nós mesmos nos cobramos, tudo parte de um sonho. Sonhar realmente não tem custo, dos mais elaborados, aos menos intensos, a mente aberta, se desenha como um céu estrelado, fechando-a, saem as cores e o preto se une o branco, deixando de lado, a chance de vivenciar, a perfeição do melhor cenário já sonhado.

quinta-feira, 2 de maio de 2013

Amor da cor da rosa


  "Lembro bem daquela saudade, daquele vazio, e também daqueles dias, noites e qualquer tempo a mais, que deixei de ter por perto."; sussurrava a rosa para sua dona. Ela por si, havia cuidado com todo o seu carinho e amor, cada centímetro de verde, e cada espaço, em formato de pétala, que surgiu ao longo do criar.
  Tal qual uma mãe com seu recém nascido, extasiada de sentimentos, ao se deleitar em ver o pródigo crescer, como se fosse uma extensão sua, uma parte sua em novo desenvolver. É a forma mais pura, de um ser humano plantar mais uma semente, no jardim da vida, que irá florescer, graças a você.
  "Meu bem, nem todos que soubessem do meu amor por ti, juntos, poderiam entender o quão ele é eterno, natural e gostoso de ser ver..." e acarinhou a sua pequena flor, que mesmo em claras demonstrações de fraqueza, conseguiu refletir um sorriso, por uma pétala a balançar, com a brisa que passou. "Mas o tempo tirou minha beleza, você não mais me verá com bela..."; e foi respondida, em tom sublime e sereno, por sua dona: "A sua beleza está no seu existir, no seu aroma, na sua essência, e no mais lindo fato de todos, termos uma a outra. A minha alegria, de te acompanhar, e ser a sua companhia, não se resume em palavras..." e finalizou, ainda mais suavemente: "Eu sou feliz, por você ser feliz, e por te amar, só."
  Após as palavras, a rosa exaltou seu último sorriso, e se despediu da vida, levando consigo, as palavras mais belas já ouvidas, da pessoa a qual ela mais amou. Cuidara da sua semente, ao seu desabrochar, e com isso em paz partia, feliz. O amor ficou em sua dona, eternamente lembrado, recordado e sem nenhum sentimento de tristeza, e sim de alegria, por sempre ter entendido o sentido do amor. A rosa se vai, e deixa uma história, sua criadora, guarda uma história, e nela se adentra para sempre, seja por onde for, em vida, mantendo esse sentimento, pois nessa passagem, não se tem espaço para lamentar.

sábado, 14 de julho de 2012

Ouvir.



  Som se propagando no ambiente, ecoa canto a canto a casa, a minha, ou a 
sua, tenham elas, paredes ou não. De ponto em ponto, um ambiente se preenche, e o som sabe muito bem se inserir neles, suave, forte, alto, baixo, pleno, em etapas, lá sejam qual forma for, é divergente, é único, se junta, mas se espalha, é o som chegando a você, da maneira mais ímpar a se impor.
  Acordes voam pela sala, relaxam idéias, acalmam espaços, preenchem e realçam momentos, eternizando segundos, caracterizando cenas, emoldurando o tempo. O som entra por cima, mas se recolhe por dentro, se dissemina por nosso interior, distribuindo notas caminhos afora, alternando ritmos, e afinando nossos desalinhamentos.
  Cada fase vivo, tem um tom, uma música, um acorde, um trecho, uma frase, algo que tenha servido de tema, somos privilegiados por conviver com algo tão sublime como um som, uma música, uma cantiga, uma trova, um soar doce, que repousa nossos sentidos, e dá a partida para alguns de nossos melhores embarques.
  Musicar é cultuar a liberdade, é divertir-se a qualquer hora, é ter a opção de se envolver pelo som, quando o mundo quer te envolver antes, é o drible no concreto, para o mergulho nas ondas de notas. Ninguém se perde ao solar de um instrumento, sempre se acha o tema perfeito, trata-se apenas de se aproximar da música, saber o que ela te oferece, para enfim, retribuir, num simples ouvir. Deixar se invadir, embarcar sem preocupação de retorno, doutrinar o tempo, isolar o mal, sorrir de olhos fechados, acenar da janela, na mais gostosa viagem.
  Sons vão e vem, em todas as épocas de nossas vidas, do batismo ao adeus, sempre se executará um doce acorde, seja audível a todos, ou a só um. Tudo se une ao redor da música, ela tem esse poder, ela exerce tal, ela faz o papel de guia do seu passeio, a trilha quem constrói é você em cima dela. Se libertar é sua especialidade, provenir encontros, uma qualidade, certificar momentos, um compromisso.
  Música é vida, música é saúde mental, é o bem estar entre ideal e ação, é a serenidade do bom momento, com o bem vindo, é o gostar, é o admirar. Com sons, os passeios ficam melhores de serem desbravados, ou repetidos, de embarcar e descer em qualquer estação, sem cobrança a mais por isso. 
  Quem ouve não se fixa, quem é sonoro, faz da sua vida uma trilha, sem som, os caminhos se encerram nos meios inacabados, sem formas, sem pistas, sem dicas, sem risos...
  Vamos ouvir, vamos dançar, vamos nos divertir sempre ao som de ontem e hoje...

segunda-feira, 12 de dezembro de 2011

Aposta







  E sempre se espera que algo mude, sem que o mudar seja provocado, não? Plantamos ideais, conselhos, instruções (hereditárias ou não) e tudo o mais, mas de onde realmente parte o estalo para o agir? Esse que se perde dentre nossos milhões de afazeres, jogado por aí, esquecido embaixo do lençol, pois o mesmo, está ocupado para o que se faz, e não para o que se pensa.
  Quantas vezes aquela promessa, sonho ou desejo foi posto realmente a prova? Se no imaginário do nosso carrosel cerebral, existissem sentimentos, tijolos e calçadas, talvez o realizar fosse algo bem mais cotidiano, não que ele fuja, mas quando nos deparamos com o paralelo que existe entre o que se faz, e o que se imagina, porventura fica em segundo plano.
  O complicar sempre andou de mãos dadas conosco, desde o início, pois há das mais diversas versões para o acontecido, e até hoje não nos entendemos sobre qual é a verdade, e quem liga para tal? A verdade mais pura, é aquela que existe no reflexo do espelho pela manhã, onde reparo dia a dia, ano a ano, aquela manta que nos cobre, envelhecer, sendo que a linha física, as vezes pouco acompanha a linha mental, não que sejamos pouco dotados de raciocínio, mas sim que pouco nos esforçamos para visualizarmos nossos predicados.
  Cada um é um centro do próprio universo, longe do sentido de egocentrismo, mas sim pela dimensão a se tomar para o exercer de algo, de dentro de mim e de você, partem as perguntas, e suas consequentes respostas, e na vida, os questionamentos partem de dentro pra fora, nada mais justo que a resposta siga o mesmo, pois do nosso ser, partimos em busca das soluções, para aí sim, expor ao restante alheio.
  Queria sempre ser levado para a casa quando adoecesse, queria sempre sorrir e não conhecer as lágrimas tristes, as felizes, gostaria de gozar sempre, sempre vou querer sentir o molhar da chuva no meu rosto, e quero eternamente sentir o gosto de estar vivo. Mas esses ideais, tão perfeitos e completos, dependem sempre do ser, a vida está aí, como o barro girando, você dá a forma que deseja, a todo dia, a todo instante.
  Tudo que sempre quisermos, alguém provavelmente já tenha pensado, feito ou criado, nada nos diz o que somos, mas somos sempre o que dizemos, e temos a chance perfeita de mudar ou se manter, que é ser vivo! Sempre haverá dúvidas, nunca as certezas serão no total de sua porcentagem, mas e daí? Mudar, se pensado, que seja posto em prática, mentalizado, e queira, ou não, levado para frente. No coração sempre haverá espaço para um conforto, seu consigo mesmo, estando ali, aquele repouso que só ele pode se dar, pois é o maior incentivador que existe, e mora dentro de você.

quinta-feira, 1 de setembro de 2011

A Calma




  Ser calmo, é enxergar o mundo no ângulo contrário da direção tomada pelos costumes e tradições. A forma de se agir, pensar, silenciar, e aquietar-se, para enfim não se exaltar, define um estado de espírito pacífico, desperta um sentido por vezes esquecido dentro de cada um, que é a serenidade. Tal, se queixa por que não é convocada em inúmeras ocasiões, sendo posta de lado, em decorrência do protagonismo que a raiva, a exaltação e o simples gosto pelo confuso ocupam no coração alheio.
  Ciente de que baseado no amor, na calma e na harmonia, o buscar pela paz fica menos tortuoso, o todo que se enquadra pelas situações existentes, tendem a expor sempre algumas vertentes, dentre elas, a calma sempre é presente, nem sempre usada, por vezes até criticada, em sua maioria desprezada. Qualquer lugar se propicia para um bem estar, e também pode voltar-se para uma situação nem tão agradável, ter calma é um grande auxílio, ser calmo é a certeza de que uma brisa ao passar por você, contorna sua alma e se vai, sem precisar lhe causar arrepios, ou qualquer sensação térmica além de um simples soprar.
  Achas que possui uma missão por aqui? Crê na mesma? Então a siga, ciente de qual sensação se adequa mais a cada giro que o planeta dá no seu eixo, o cuidado é a busca pelo equilíbrio, se o giro não for completo, a estagnação se constrói, agindo de maneira serena, evitando os trovões em troca da calmaria de um por do sol na beira do rio, as respostas virão, com pressa ou não.
  Calma condiz com amor, amor condiz com alma, alma condiz com ardor, ardor condiz com harmonia, que condiz com sorrisos, evaporando cada lágrima que persistir em descer.

sábado, 30 de julho de 2011

No escuro e no claro





 E se de repente ao apagar a luz eu visse que das sombras, na verdade não somente existiriam figuras sombrias?
  No ato de acender novamente, talvez as figuras mais a se temer surjam a frente, o que contradiz a tese de que só o esperado é o realizado, o inesperado também se comporta em condições normais, ele se mascara nas sombras, e porventura na claridade de qualquer situação.
  Teses são criadas e reproduzidas dia a dia, para serem encenadas posteriormente através de inúmeras gerações, mas a metáfora disso tudo, é a participação nossa nesses pensamentos já formulados, por quê e para quê são os questionamentos que me vem a mente, se me permitem seguir tal condição, me sinto no direito de não seguir por esse caminho, e me enveredar por onde der vontade.
  Tudo que é bem reproduzido, perde a noção da criatividade, desde pequenos somos acostumados com diretrizes, certezas e erros, a imposição do poder e do não poder, nesse âmbito, nossas vidas são caminhos já direcionados, e convenhamos, qual seria a mínima graça de passear por aqui sem ter a astúcia de querer e ir atrás do novo?
  Tudo passa muito rápido, daquela noite de sono gostosa de se dormir, passando pelas férias merecidas, ou então pelo ano cheio de sonhos que chegou ao fim com os mesmos copos vazios de outrora, a vida é um trem em movimento, se perder a estação correta, só a próxima vai servir, e pra voltar, ou se espera o próximo, ou se aventura a pé, vê? A vida impõe desafios, temos o livre arbítrio de querer encara-los ou simplesmente deixa-los de lado, uma hora ou outra eles se solucionarão, assim se pode pensar.
  A graça da vida está em mudar as cores dos cabelos, trocar de roupas, sair de casa e esquecer a cama desarrumada, brincar e sair correndo do vizinho, correr atrás de uma bola, se sentir com mais idade do que se tem hoje, e querer voltar atrás amanhã, isso é a diversão disso que pisamos, os elementos se unem e não voltam, podemos encontra-los novamente lá, mas esse lá ninguém sabe explicar, e eu não quero saber mesmo explicações, quero só ir e ir, sem caber nada mais a não ser meu sorriso, e minha direção sempre em frente.
  Deixa pra ontem aquele mal humor, no hoje você simplesmente abre os olhos e caminha, quando chegar no final da caminhada, você se pergunta, e agora? Daí que vem a resposta entende? Não há resposta pré fabricada, nós que usufruímos os momentos um a um, e pra onde, como e por quê iremos, não fazemos a menor idéia, isso que é o gostoso, ir sem pressa de chegar, e sem hora de partir, e partir se despedindo sem saber a volta, mas na volta receber os afagos da despedida passada, esse é o meio.
  Gastar tempo e energia pensando no que ainda nem aconteceu, não vai acrescentar em nada para mim, nem para você, acelerará o passar das horas, logo essas que depois podem vir a fazer falta, não se ocupe mentalmente, deixe-se como ocupante da  mesma, embarque nela, sua mente equaliza sua pessoa, mentalize para equalizar o que julga gostoso de se brincar.

segunda-feira, 6 de junho de 2011

...







A vida podia ser uma alquímia só, entre paz, harmonia e alegria, mas seria fácil e sem graça demais...
O viver é um teste diário, do quão forte é a sua vontade de estar propriamente dito vivo, e nesse contexto, haverão chuvas, tempestades, raios, percas, caminhos sinuosos, e tudo o mais que lhe ofereça algum risco.
A gente só entende o verdadeiro sentido de estar aqui, quando entendemos que o aqui pode não estar no mesmo local amanhã.
Perder faz parte do jogo, jogar faz parte do viver, viver é um jogo de perde e ganha.