domingo, 24 de abril de 2011

Voar

  
  Certo dia ao avistar o horizonte, deparei com a doçura angelical do bater de asas de pássaros que rumavam ao horizonte, tão unidos, tão harmônicos, seguindo um rumo incerto, certo de que ele existe, a bela incerteza certa que só um ser que tem a magia da liberdade pode usufruir.
   No rabiscar dos céus transcendido em asas, fica a trilha de uma paz que parece inalcançavel para quem enxerga apenas um bando a voar, não basta olhar com as retinas, faz-se necessário um enxergar mais puro, algo de dentro, uma visão cristalina com toda a suavidade que a alma nos propõe, executando nesse sentido, se vê que aqueles que lá voam, estão indo para um além ainda não conhecido, mas esperançoso de que é especial, um espaço perdido e achado, um reflexo temporal aonde não existe tempo, uma fuga para algo que existe na idéia, mas só se concretiza se a mesma for mentalizada.
   Na eternidade de um pensamento juvenil, se guarda uma forma de como expor uma mensagem de paz, seja ela direcionada ao próximo, ou ao próprio, a arte de uma asa cortando o vento se mistura com a vontade de exercer um bem, o bem no vôo coletivo de entes queridos nos céus se retrata através de reflexos em nossos olhos, seja ele transmitido em dias claros, ou em dias chuvosos, seja qual for o estado de espírito do céu, quando mirar o destino daquelas aves, embarco junto, o passeio não tem tempo, prazo, ou qualquer tipo de sintonia, é apenas um passeio pelo livre existir, a vida é curta, se não passearmos pelos circuitos coloridos dos arco-íris existentes na imensidão do horizonte, as cores da nossa alma ficam frágeis, a coloração da vida é acesa pela liberdade, o vôo é um destes dons, saber voar não é pré-requisito, querer voar nem sempre solicita a necessidade de sair do chão, a mente decola só, basta buscar o impulso, basta bater nossas asas.
   Aquelas datas que o sol incomoda quando penetra pela cortina, ou então o barulho da chuva incomoda o sono da madrugada, seria uma ótima condição se enxergassemos pelo lado positivista ao invés do critico, a critica é um elemento que não se faz necessário na vida, por que uns se sentem felizes ao ouvirem um canto de uma ave, e outros exercem esse mesmo sentimento somente ao olhar sua condição financeira, todos sabem tudo, menos se calar, os ensinamentos que aprendemos são uma base, não uma regra, se eu te amo, é amor e ponto final, se você me ama mas não tem certeza, não se desespere, bata suas asas sem preocupação de onde vai chegar, simplesmente bata, voe sem medo da queda, busque o infinito da maneira mais sincera que achar, não se engane, não se deixe iludir pelo vôo alheio e o seu terrestre, voar é uma dádiva que não só é própria dos pássaros, o ser humano voa, cada um tem a capacidade de avistar uma ave no céu e querer segui-la, e siga, seja aberto a toda forma possível de sair da normalidade que o mundo comtemporâneo nos impõe, não busque explicação, se além de mim, você também voar sem se preocupar com nada, descubriremos o carrosel da harmonia, vislumbrando a delícia que é ser livre para tal, a porção da felicidade diária é servida em bandejas oriundas do reflexo solar nas águas do oceano, não se prive, se divirta, bata asas em direção ao infinito, finito ele será se você se permitir, o tempo é a chance de fixarmos em nós um patamar de realizações e felicidades, seja feliz, se realiza, fixe seu tempo, se delicie, não busque respostas, nem elabore perguntas, os pássaros voam por voar, decole por escolha própria.
   Verifique seu tempo, solidifique seus sonhos, interprete suas escolhas, veja nos pássaros buscando um horizonte um apoio, a vida é feita de momentos, o vivido ontem pode ter ficado por lá mesmo, e caso queira reacender amanhã, talvez não consiga, busque a satisfação, bata asas, seja lírico, seja harmônico, seja feliz, a felicidade possui asas e nos questiona diariamente sobre companhia para a mesma, nunca negue, não tema, simplesmente feche os olhos, abra seus braços e pule sem medo da queda, junte-se aos pássaros sem destino, de repente naquele rumo incerto estará a certeza mais plena do seu sentido de viver.

quinta-feira, 14 de abril de 2011

A Flor






  Em um jardim, existem inúmeros fatores que estão ali posicionados para chamar a atenção, e usam de variadas formas para que isso aconteça, seja através da beleza, da calma, da delicadeza, ou pura e simplesmente pelo fato de existirem.
  Uma rosa quando se é retirada dentre o relvado, deve-se levar em consideração alguns fatores, tais como, o que o motiva a retira-la, para que intuito irá utilizá-la e se ambas as hipóteses formarem um só pensamento, que ao menos ele seja movido a partir de um sentimento verdadeiro, fato este que isentará de culpa o momento da retirada dela, mas que acarretará em responsabilidades a partir do momento que a levar consigo...
  A rosa em si é uma reprodução na terra de uma beleza escondida pelos céus, naquele caule defendido por espinhos, que em sua extensão fazem a moldura para cada pétala que se desabrocha ao longo da história, pode se ver refletido um olhar apaixonado, pois sim, o ser que tem o dom de enxergar uma rosa e se apaixonar por ela é singular, e ela sabe perceber e retribuir de imediato, uma alquimia perfeita, entre a rosa e o possuidor será eterna, caso se saiba cuidar da linda flor...
  Tal flor, tão protegida por seus espinhos, oferece uma face tímida numa mistura com entrega, fato esse que atrái um apaixonado, como que o questionasse se preferia as feridas a se abrirem naquele momento, ou o ardor de um sentimento, tal jamais se é rejeitado, ao se ver uma rosa, apaixonar-se é obrigação, e nada mais importa, dia, tempo, hora, não existem contadores, o tempo para, estaciona, repousa, apenas pra ver a dança celestial da rosa com seu amado.
  A doçura de cada pétala se petrifica ao corpo do enamorado, formando uma união além de corporal, carnal, cordial, uma aposta de mãos dadas na felicidade, tal qual é fascinante o encanto ao ambos constatarem a paixão, os sentimentos mais doces, reais e sonhados são derramados, expostos, vocalizados, imaginados, escritos, reproduzidos, vividos, é a etapa do amadurecimento do sentimento, da afirmação um no outro, da pura e simples constatação de que a terra vai girar, a vida andar, a saudade bater, mas sim, o amor viver...
  O que possui uma rosa deve ser especial, verdadeiro, amar, tratar com todo a delicadeza e o ardor que a flor merece, deve se esforçar para que erros não se transformem em danos, e tais não se transformem em percas, não fará sentido após o elo ter se feito no ato do retirar do solo, se quebrar por tamanha falta de necessidade, pois quem o amor da rosa provou, não sabe se deliciar com outro gosto.
  Porém caso o erro seja consumado, cabe a reflexão tomar conta da cena, já pairam dúvidas dentre todos os sentimentos outrora exaltados pelos ares, contornados em corações e semelhantes, o gostar que havia pego carona na esperança da felicidade e da confiança, agora se encontra no meio da estrada, diante do real ou do verdadeiro, machucado pela perca, pairando a dúvida de onde termina um e começa o outro, resta a lembrança, a saudade, e a vontade de desfazer o já feito, nesse âmbito, ficará exposto o que virá a acontecer pelo batimento sentimental da flor e do apaixonado, se as pétalas ficarão pelos ares, o olhar triste do amado, se a rosa se abrirá de novo e rumará pela paixão, ou se fica pra posteridade o amar de uma flor e um homem.